As Portas permanecem Abertas (40 anos depois)

Em um artigo literário-jornalístico fictício, Jim Morrison revive 40 anos após sua morte para narrar impressões e fazer uma análise de suas memórias

Como sempre, nada era ou poderia ser planejado. Nem aquela tarde de uma sexta-feira parisiense, sentado no Café de Flore, tampouco o chocolate quente consumido naquele lugar, o preferido de Pam, o meu “amor cósmico” Pamela Courson. Muito menos que logo seria noite, a minha última noite. Pouco depois estava eu ali, olhando para o meu corpo inerte na banheira branca do nosso pequeno, mas confortável apartamento no terceiro andar do número 17 da Rue Beautreilles. Não conseguia me mexer. Mirei mais uma vez meus cabelos desgrenhados e os olhos acinzentados, sempre meio perdidos. Pensei em como toda a minha aura de símbolo sexual, de rock star ácido e messias de uma geração ávida por liberdade tinha terminado seus dias ali, em uma calma manhã de sábado. Era 3 de julho de 1971.

Do que morri? Dizem de tudo, e me divirto com as mais absurdas hipóteses a ponto de não querer confessar a verdade nem desmentir os boatos. Talvez tivesse, sim, ido ao cinema na noite anterior e, ao voltar para casa, senti o intensificar das dores no peito, rotineiras havia alguns dias, sinal da parada cardíaca que me derrubaria em poucas horas. Mas esqueça o cinema. Se eu tivesse de desvendar a minha própria morte, apostaria muito mais no Rock and Roll Circus. O bar onde, naquela noite, me abasteci de muita vodka e cerveja. Meu erro grotesco foi confundir as substâncias e, em vez de consumir a cocaína habitual, ter ingerido a dose cavalar de heroína comprada para Pam; o que me deixou ali em coma, no banheiro. Desesperados, os traficantes e Sam Bernett, o gerente do local, carregaram meu corpo para o apartamento e o jogaram na banheira na tentativa de me reanimar; mas, como se sabe, sem surtir efeito.

Uma conclusão estranha para a mais estranha das vidas, como gosto de dizer. Por outro lado, 40 anos depois, ainda sou uma pessoa inteligente, sensível, com a alma de palhaço. Mas não tenho mais a energia dos 27 anos de idade, que me impeliu a jogar tudo pelos ares. A maturidade enfim chegou. Lamento as noites perdidas e os anos perdidos, mas, depois daqueles quatro anos de sucesso, loucuras, agentes, empresários e advogados, confesso que minha cabeça entrou em parafuso e não havia nada a fazer a não ser mandar tudo à merda.

Por outro lado, consigo hoje ter uma visão mais clara e ampla da existência. Já falo com tranquilidade sobre detalhes de infância ou família. Aliás, se ainda interessa, nasci em uma quarta-feira, 8 de dezembro de 1943, na cidade de Melbourne, na Flórida. Era filho de Clara Clarke e de George Stephen Morrison. Tá certo: diria em uma entrevista anos mais tarde que os dois estavam mortos. Mas essa foi uma das maneiras de incitar a rebeldia contra a ordem e a educação recebida, orientada a impor o american way of life. Também posso entender agora que meu pai, um almirante da marinha, não era de uma geração preparada para ter um filho astro do rock, e ainda com o apelido de rei lagarto. Mas são coisas que só compreendemos depois.

Fico satisfeito, assim, por ter me desvencilhado daquela imagem criada em torno de mim e com a qual colaborei – de modo inconsciente ou bem consciente. Desde a adolescência e dos tempos no George Washington High School, e mais tarde na escola de cinema da Universidade da Califórnia (Ucla), mergulhei em O nascimento da tragédia, de Nietzsche, consumi William Blake, Rimbaud e, assim como todos eles, construí minhas próprias máscaras. Às vezes penso: fui longe demais! Sentia as pessoas projetando em mim suas fantasias para se tornarem reais e obedecia aos impulsos.

Mas, longe da imagem do bêbado, ou do louco vestido com a calça de couro preta, fui, do meu jeito, um cara comum, carinhoso e gentil. Uma vez ou outra, especialmente quando estou entediado, deixo minha mente vagar de volta a alguns episódios. Eles trazem a certeza de algo que sempre fui: tímido, inseguro e possessivo.

Quando eu já vivia na Califórnia, em 1965, e namorava Mary Werbelow, o meu primeiro grande amor – e o maior, como tenho certeza às vezes –, precisava ligar para ela todos os dias. O excesso de atenção era, nesse caso, uma necessidade de ter certeza de que o amor dela permanecia igual por mim. Mas essa insegurança também me levou a brigas imaturas, a traições de minha parte e ao fim. Mas não posso reclamar. Para ela, fiz os versos eternizados com os Doors: Bela amiga / Este é o fim / Minha única amiga, o fim / Dos nossos elaborados planos, o fim / De tudo o que está de pé, o fim / Sem segurança ou surpresa, o fim / Nunca mais olharei em seus olhos… de novo.

No verão desse mesmo ano, quando perambulava pela praia de Venice, reencontrei Ray Manzarek. Após ouvir um dos meus poemas, ele disparou: “Vamos formar uma banda”. Tentei explicar que era tímido e que minha voz não era das melhores. Mas fui convencido com um argumento medíocre, explicitando o fato de Bob Dylan ter conseguido também sem ter a melhor das vozes.

Abrimos as portas sugeridas por Blake, levamos o The Doors por todo o país e pela Europa, ganhei muito dinheiro, prestígio; embarquei em profundas viagens lisérgicas, vivi com Pamela, a amei e também a odiei. Fui preso, acusado de profanação pública e de exibir meus órgãos sexuais durante o show. Definitivamente, me irritei com tudo, especialmente com a América daquele período. Queriam me condenar não por um ato em si, mas pelo meu estilo de vida. Infelizmente, todos se concentraram demasiadamente nos meus genitais e esqueceram o resto. Além de ser um jovem saudável, com braços, pernas, tórax, olhos e nariz, tinha também um cérebro.

Repetindo: ainda é difícil me decifrar, e nem pretendo mais. Tenho 67 anos e pouca paciência para acompanhar as incessantes peregrinações feitas todos os dias ao meu túmulo no Père-Lachaise. Às vezes, aproveito para tomar um pouco do vinho deixado lá pelos fãs. Bom pretexto para dar umas risadas e oferecer uma taça à Janis ou ao Hendrix nas poucas visitas feitas. Além disso, o espírito de um xamã que invadiu a minha alma, fazendo companhia desde os meus 5 anos de idade, quando assisti a um acidente na estrada com um comboio carregado de índios, já partiu há longo tempo. O alcoolismo e o abuso de drogas é um pormenor. Queria mesmo era ser reconhecido por ter sensibilidade, inteligência e senso de humor. Claro, não posso negar: passei ótimos momentos e, durante os anos à frente do Doors, conheci mais gente interessante do que durante todo o resto da existência. Mas, se pudesse recomeçar, procuraria vivenciar a quietude do pequeno e inalterado artista, caminhando pelo seu estreito caminho. Afinal, um homem está à porta. Boa sorte, e não se metam em problemas.

Louca

Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca?
Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser. E seu eu ficasse louca. Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas branca PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e nÍ o para mais até acabar? Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando. Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando “olha, uma menina comendo Bis”.

Tati Bernardi

CRÍTICA: DELICATESSEN

De Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Com Dominique Pinon, Marie-Laure Dougnac, Jean-Claude Dreyfus e Karin Viard.

Divertido, bizarro e imaginativo, filme de estreia de Jean-Pierre Jeunet já apresenta toda a sua criatividade visual.

Hoje em dia, Jean-Pierre Jeunet é conhecido como o cineasta responsável por um dos filmes mais cultuados da última década, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Porém, a história sobre a jovem garota que decide ajudar as pessoas ao seu redor não foi a primeira vez em que o diretor demonstrou seu vigor criativo e – por que não? – excentricidade. Antes disso e da fraca tentativa no cinema norte-americano com Alien – A Ressurreição, Jeunet construiu, em parceria com Marc Caro, duas das mais inventivas e bizarras comédias/fantasias dos últimos anos: Ladrão de Sonhos e este Delicatessen.

Situado em alguma época de um futuro próximo, Delicatessen conta a história de diversas pessoas que moram em um edifício em cima de um açougue. Como a comida anda escassa em todo o planeta, a solução encontrada pelos moradores foi a de contratar ajudantes para o açougueiro, engordá-los e, logo em seguida, picotá-los em diversas partes para que todos sejam devidamente alimentados. O mais recente deles, porém, acaba se apaixonando pela filha do açougueiro e a moça decide ajudá-lo para que o rapaz não termine no estômago de seus vizinhos.

Apesar do parágrafo acima, fica claro desde as primeiras cenas que a história e os personagens não são o grande foco de Jeunet e Caro. Durante um bom tempo, a plateia permanece totalmente alheia ao que está acontecendo em Delicatessen, enquanto os cineastas apresentam uma visão de mundo fantasticamente surreal através de imagens e cenas extremamente originais. Um exemplo é o momento no qual é realizada uma montagem com diversos personagens em seus afazeres cotidianos, que cresce de maneira ritmada com os sons das tarefas. Trata-se de uma sequência sem qualquer significado para a trama, construída como um exercício de estilo dos diretores, que encanta tanto pela montagem quanto pelas pequenas ideias presentes.

Aliás, Delicatessen é um filme construído sobre estas pequenas ideias, mesmo que elas não tenham o menor objetivo de fazer a trama andar. As inusitadas tentativas de Aurore cometer suicídio, as travessuras dos dois garotos e a história do degrau solto, por exemplo, servem unicamente para divertir. Na verdade, a trama em si pouco importa em Delicatessen: o que Jeunet e Caro querem apresentar ao espectador é a sua visão imaginativa, seu senso de humor bizarro e, claro, seu estilo visual originalíssimo. Enredo e personagens não buscam coerência ou um desenvolvimento narrativo que leve do ponto A ao ponto B: o que importa são as imagens e a sensação de fascínio diante do absurdo que elas são capazes de gerar.

E no que diz respeito ao estilo, Delicatessen é nada menos do que espetacular. Se Jeunet demonstraria em seus trabalhos seguintes mais consistência na condução da história, em termos visuais este seu primeiro longa já apresenta incrível criatividade. Utilizando praticamente dois tons de cores (o laranja e o verde) e aproveitando-se de uma direção de arte inspiradíssima, os cineastas deixam claro desde o princípio que tudo aquilo não tem lastro na realidade, com os acontecimentos se situando em uma espécie de dimensão paralela. Mais do que isso, o trabalho de câmera ajuda na construção deste clima bizarro, com ângulos de câmera inusitados e diversos planos que chegam a distorcer a face dos atores através das lentes.

No entanto, a ausência de um maior desenvolvimento dos personagens e da trama acabam fazendo falta ao filme. Como o espectador não se envolve com o que está acontecendo na tela, Delicatessen se torna, por vezes, cansativo. Fascinante, claro, mas cansativo. Isso também reflete no elenco: os atores não passam de ferramentas para transformar em celulóide a visão dos cineastas, sem jamais terem espaço para desenvolver seus personagens. Ainda assim, eles parecem “comprar” a ideia de Jeunet e Caro, e atuam sempre no limite do exagero e caricato, exatamente aquilo que os diretores esperam.

De certa forma, Delicatessen não passa de uma grande brincadeira. Jeunet e Caro não têm quaisquer pretensões em criar um filme que emocione pelo envolvimento com personagens ou surpreenda com reviravoltas na história. A trama é uma mera desculpa para exibirem na tela uma incrível capacidade criativa, tanto em termos de imaginação quanto nos quesitos técnicos. Delicatessen é obra de cineastas com uma visão diferenciada e um espírito tão irreverente que, mesmo com algumas derrapadas, é impossível não se contagiar.

Decálogo de um homem feio

Dez coisas que um homem feio deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata:

I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg – o tio francês que pegava a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outras deusas. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro.

II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.

III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.

IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.

V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.

VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.

VII) Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade.

VIII) Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras.

IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova.

X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas. Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade!

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Manual do viajante do tempo

Leia antes de sair por aí

Ao viajar no tempo, leve sempre um relógio. Ninguém leva a sério um viajante do tempo que não chega no horário.

Cuidado! O rio do tempo tem muitos afluentes. Se você pegar o Rio Negro e o Solimões por engano, vai acabar num universo paralelo dominado por cantores sertanejos.

Lembre-se de não criar paradoxos. Digamos, por exemplo, que você volta no tempo e mata a sua avó. Quando chegar ao presente, seu avô estará morando no puteiro, mas você vai deixar de existir, o que é muito chato – especialmente se a gostosa do marketing finalmente resolveu dar pra você.

Uma vez no passado, não coma sua mãe. Além de ficar meio pro retardado automaticamente, todo mundo vai te chamar de “modafuca”. Você só vai arrumar emprego em filme do Quentin Tarantino ou em clássico do teatro grego.

A Grécia Antiga é o lugar ideal para aprender conceitos filosóficos. O problema é conseguir sentar no dia seguinte. Mas se você é uma pessoa aberta e livre de preconceitos, visite a decadente Roma de Nero. Só não esqueça de tirar o adesivo “Sou feliz porque sou católico” da traseira da máquina do tempo.

Fanáticos religiosos e sado-masoquistas serão mais felizes na Idade das Trevas, também indicada a quem sofre de fotofobia. Mas saiba também que o futuro a deus pertence. Quando avançar rumo ao futuro, desvie dos homens-bomba.

O turista temporal deve tomar cuidado para não se perder. Se você decidiu visitar o Brasil antes de Cabral e desembarcou num lugar idílico, povoado por nobres e bons selvagens que vivem numa utopia socialista, cuidado! – você provavelmente está num samba-enredo.

Fique atento à moda. Se todos usam macacões prateados, você está no futuro. Se todos são macacões mal encarados, você está no passado. Ou no futuro. Verifique se o Charlton Heston está por perto.

Charles Darwin estava certo. Quanto mais para o passado você for, maior a possibilidade de trombar com amebas. Ora, economize dinheiro e vá pra Brasília!

Edson Aran é cronista do Blônicas.

É PURO CREME DO MILHO

OS 10 DISCOS MAIS VENDIDOS NO BRASIL

10º. Terra Samba ao vivo e a cores (Terra Samba, 1998) – 2.450.411

A banda de samba/pagode/axé se formou em 1991, mas foi em 1997/98 que estourou. Esse disco traz a versão ao vivo para a música “Liberar Geral”, que diz (umas 30 vezes): “Nada mal/ Curtir o Terra Samba não é nada mal/ Que legal/ É só entrar no clima e liberaaaar geral”.

9º. Mamonas Assassinas (1995) – 2.468.830

Foi o álbum de estreia e o único de estúdio da banda, que morreu em um acidente de avião em março do ano seguinte (1996). Em 1998 e 2006 foram lançados discos com versões ao vivo das músicas do primeiro.

8º. Xou da Xuxa (Xuxa, 1986) – 2.689.000

Foi o terceiro álbum de estúdio da Rainha dos Baixinhos, lançado junto com o programa de mesmo nome. Ela aparece na capa com uma blusa rosa transparente, o que causou certa polêmica na época. A clássica “Parabéns da Xuxa” (aquela do “Hoje vai ter uma feeesta…”), que sempre rolava em festas infantis, está lá.

7º. Um sonhador (Leandro e Leonardo, 1998) – 2.732.735

Lançado no ano em que Leandro morreu, o disco traz algumas das músicas mais famosas da dupla.

6º. Xegundo Xou da Xuxa (Xuxa, 1987) – 2.754.000

Depois de “bolo, guaraná e muito doce pra você”, Xuxa lançou o Xegundo Xou da Xuxa. Esse disco tem a música “Festa do Estica e Puxa” e “O Circo”, famosa nas festinhas com palhaços irritantes (quem não lembra de “Vem a foca com a bola no nariz, o elefante bancando o chafariz. Vem a macacada toda de uma vez”?).

5º. Xou da Xuxa 4 (Xuxa, 1989) – 2.920.000

Está ali “Tindolelê”, um clássico da infância cheio de onomatopeias misteriosas: “Eu quero ver/ Tindolelê/ Nheco nheco/ Xique xique/ Balancê”.

4º. Só Pra Contrariar (1997) – 2.984.384

Quarto álbum de estúdio do grupo de samba/pagode de Uberlândia. Tem a música “Mineirinho”, que quase todo mundo dançava nos churrascos da vida. Com o sucesso, eles foram convidados a gravar um álbum em espanhol, que vendeu 700 mil cópias nos países latinos.

3º. Leandro e Leonardo (1990) – 3.145.814

“Pensa em mim/ Chore por mim/ Liga pra mim/ Não, não liga pra eeeeele….”. E comemore com eles. O clássico “Pensa em mim” ajudou o quarto álbum de estúdio da dupla a ocupar a terceira posição entre os mais vendidos.

2º. Xou da Xuxa 3 (Xuxa, 1988) – 3.216.000

O disco da Xuxa mais bem posicionado no ranking do top 10 dos mais vendidos. “Ilariê” e “Brincar de Índio” ajudaram o Xou da Xuxa 3 a desbancar os outros três álbuns do TOP 10. O hit “Ilariê” ficou em 1º lugar por 12 semanas nas paradas brasileiras.

1º. Músicas para louvar o Senhor (Padre Marcelo Rossi, 1998) – 3.228.468

E o disco mais vendido…. é divino. Com esse álbum, o primeiro da carreira de Marcelo Rossi, o padre do movimento Renovação Carismática Católica passou a frequentar religiosamente os programas de auditório para cantar seus sucessos e mostrar coreografias. Ele já gravou outros 8 álbuns em estúdio desde então.

UPDATE: Os números se referem às vendas dos discos na época em que foram lançados e não incluem dados de relançamentos.

Fonte: Os 10 Mais, de Luiz André Alzer e Mariana Claudino. Editora Agir.

REVISTA CULTURA

CARTA AO LEITOR – REVISTA DA CULTURA

Vocês devem imaginar quantas histórias tenho guardadas em mais de 40 anos à frente da Livraria Cultura, não? Pois é, são muitas e, de vez em quando, lembro-me de algumas. O estopim para minha memória são temas. Ao ler a reportagem de capa desta edição da Revista da Cultura, vieram dois acontecimentos à minha cabeça. O primeiro foi o lançamento do livro O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira. Ele tinha acabado de voltar do exílio, o país estava em polvorosa e, sem dúvida, foi uma das noites de autógrafos mais concorridas da história da Cultura. Ousaria, mesmo, dizer que foi a mais, já que os corredores do Conjunto Nacional ficaram completamente entupidos. O segundo ocorreu em 1982, durante o lançamento do livro Uma lufada que abalou São Paulo, de José Yunes, que falava do então ex-governador Paulo Maluf. Logo no início desse evento, vejo entrar na Cultura um senhor acompanhado de dois homens. Um dos homens deixava aparecer uma metralhadora embaixo da capa de chuva que vestia. O tal senhor chega até mim, apresenta-se como delegado e, verbalmente, “pede” para encerrarmos a noite de autógrafos. Como ele não tinha um mandado, não encerrei. Mas, pouco tempo depois, chegou um oficial de justiça munido de um mandado e, então, tivemos realmente de finalizar a noite. O estoque remanescente dos livros foi apreendido. Os clientes, em protesto, começaram a cantar o hino nacional. No dia seguinte, estou eu trabalhando quando vejo o delegado entrar na loja. Pensei: pronto, vai me prender! Ele chegou perto de mim e me convidou para tomar um café. Pensei de novo: pronto, agora é do café para a prisão! Para minha surpresa, ele começou a dizer que não queria ter encerrado o evento no dia anterior daquela maneira, mas que havia um chefe que tinha mandado fazê-lo etc. e tal. E, então, entrou no real assunto que o trouxe de volta à Cultura: “Além de delegado, também gosto das letras e acabei de escrever um livro de poesias, blá-blá-blá…” Conclusão: queria ajuda para publicá-lo! Acreditam? Sim, acreditem, é a pura verdade. Mudando de assunto, não poderia terminar este editorial sem lembrar o que me disse, em sua última vinda ao Brasil, o prêmio Nobel José Saramago, falecido no último dia 18 de junho: “Esta livraria é uma catedral!” Fico emocionado até hoje e, certamente, a literatura acaba de perder um de seus melhores representantes. Boa leitura!

Pedro Herz

Playing for Change – Atitudes que unem o Mundo

PlayingForChange http://playingforchange.com – As we made our way around the world we encountered love, hate, rich and poor, black and white, and many different religious groups and ideologies. It became very clear that as a human race we need to transcend from the darkness to the light and music is our weapon of the future. This song around the world features musicians who have seen and overcome conflict and hatred with love and perseverance. We dont need more trouble, what we need is love. The spirit of Bob Marley always lives on.

This is the fourth Song Around The World video released from the CD/DVD Playing For Change: Songs Around The World and the follow up to the classics “Stand By Me,” “One Love” and “Don’t Worry.” This unforgetable track was performed by musicians around the world adding their part to the song as it traveled the globe.

Order the CD/DVD Playing For Change Songs Around The World” now at amazon.com!
http://tinyurl.com/c6mhgd

The Playing For Change “Songs Around The World” CD/DVD is also available at your neighborhood Starbucks and everywhere music is sold.

Order the “War/No More Trouble,” “Stand By Me,” “Don’t Worry,” and “One Love” videos and the new Songs Around The World album now at itunes!
http://tinyurl.com/pfcitunes

Sign up at http://playingforchange.com for updates and exclusive content. You can also buy cool stuff in our new online store!

Join the Playing for Change Online Street Team at:
http://ufanz.com/teams/playingforchange

Join the movement to help inspire people from around the world to come together through music.

Banda Trio Uai-Fai

...toda tristeza deixa lá fora...Banda fomada por Eduardo Couto (vocal, solo, percussão) Gil Vitoy (vacais e percussão) e Rodolfo Ferreira (vocal, base, percussão).
Nicho de atuação: Festas, Churrascos, Shoppings, Restaurantes, Butecos, Bares, Formaturas, Aniversários, Casamentos, Divórcios etc.

Confira o Canal Uai-Fai no YouTube:

http://www.youtube.com/uaifaiband

Segue abaixo um check list com algumas canções:

  • Não é proibido – Marisa Monte
    Esconderijo – Ana Cañas
    Telegrama – Zeca Balero
    Diga sim pra mim – Isabella Taviani
    Vi, não vivi – Zélia Dunca
    Bem que se quis – Marisa Monte
    Não é fácil – Marisa Monte
    Como eu quero – Kid Abelha
    Mania de você – Rita Lee
    Caso sério – Rita Lee
    Uma noite e meia – Marina Lima
    Burguesinha – Seu Jorge
    Versos simples – Maskavo
    Maluco beleza – Raul Seixas
    Minha alma – O Rappa
    Me adora – Pitty
    Quero sempre mais – Ira e Pitty
    Taj mahal – Jorge bem Jor
    Flor da pele – Zeca Balero
    Vapor barato – O Rappa/Gal
    Open your eyes – Snow Patrol
    I gotta felling – Black Eye Pees
    I’m yours – Jason Mras
    Boa sorte – Vanessa da Mata / Ben Harper
    Lenha – Zeca Balero
    If were a boy – Beyoncé
    Trem das sete – Raul Seixas
    Woman no cry – Bob Marley
    Redemption Song – Bob Marley
    Woman in chains – Tears for Fears
    Pescador de ilusões – O Rappa
    Tendo a lua – Paralamas
    Malandragem – Cássia Eller
    Dyer maker – Led Zeppelin
    Canceriano sem lar – Raulzito
    Abre-te Sésamo – Raulzito
    Love me two times – The Doos
    Halo – Beyoncé
    Ovelha negra – Rita Lee
    Clandestino / Mi corazón – Manu Chao
    Road house blues – The Doors
    Upside down – Jack Johnson
    Sitting, Waiting, Wishing – Jack Johnson
    Save Tonight / Falling in Love again – Eagle Eye Cherry
    One – U2
    Mama I’m coming home – Ozzy Osbourne
    Wasting Love – Iron Maiden
    Trator – Flávio Venturini
    Santeria – Sublime
    Diamonds on the Inside – Ben Harper
    Os Presentes – Eliana Printes
    Mr. Bob Marley – Manu Chao
    Colo de menina – Rastapé
    Fala mansa Song – Fala Mansa
    Victor e Léo – Tem que ser Você
    Proibida pra Mim – Zeca Baleiro
  • Where the hell is Matt?

    Matt Harding é um designer de games que um dia resolveu viajar ao redor do mundo e produziu um filme dançando em 18 lugares diferentes. Um fabricante de gomas de mascar (Stride) entrou em contato com ele e patrocinou uma segunda viagem. Foi produzido um segundo vídeo e ele se tornou mundialmente famoso, como o “cara que dança na internet”. Posteriormente, um terceiro vídeo foi lançado em 2008.

    Seguir

    Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.